
Os dias de chuva são, para mim, dias de introspecção. Mais fechados, mais carregados; concentrados. Como se os dias pudessem ter feitio de pessoa. Ou o oposto. Eu devo ter feitio de dia. E acordo com cara de chuva quando os dias choram. E com olhos de nuvem quando me posso confundir com a neblina. Sou bem versátil nestes meus estados de espírito.
O chapéu é aquele que nos protege da chuva que carregamos connosco, o dia inteiro. Não a chuva física, mas a chuva que está cá dentro. Não a água que nos molha, mas aquilo que nos mói o pensamento. O chapéu-de-chuva é a alegria a querer empurrar a tristeza para os lados. E no meio estamos nós, a brilhar. Ou, pelo menos, ainda nos encontramos inteiros, secos. Como se pusessemos uma capa e dissessemos que hoje não queremos um dia menos bom. Hoje queremos um dia de chuva, sim, mas com a cor merecida que esse dia pode ter. Há dias em que eu, claramente, chovo.

Com chuva ou sem, lindo como sempre, sem fotos mas com palavras da alma, beijinho
ResponderEliminarObrigada, minha querida :)
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